To be or not to be (nude)

 

playboy

Na selva amorosa do século XXI mandar ou não mandar nudes é um dilema que se impõe As pessoas trocam fotos nuas, via de regra sem o rosto, mesmo quando ainda não se conhecem pessoalmente, ou talvez até porque não tenham nenhuma intenção de se conhecer. Sou uma mulher prática. Nunca vi muito sentido em posar nua de graça. Sempre foi um trabalho muito bem pago. Pelo menos até aqui.

               Na semana, a Playboy americana anunciou que não publicará mais fotos de mulheres nuas. Segundo seus editores, o nu na revista perdeu o sentido devido a enorme quantidade de conteúdo erótico que as pessoas trocam em seus smartphones. Erotismo passou a ser gratuito e fartamente disponível. E as pessoas comuns substituíram as modelos esculturais.

    Progressivamente, serviços gratuitos oferecidos pela internet foram substituindo serviços que tinham um custo no mundo real. A tiragem dos jornais só tem feito diminuir. Mas isso é apenas uma das razões. Tenho pra mim que a troca de conteúdo erótico entre pessoas que se conhecem talvez estimule mais a sensação de proibido, pecaminoso e de risco, mexe com a libido. Isso se a criatura tem um mínimo de domínio da linguagem erótica. Amiga minha me contou que ficou profundamente decepcionada ao receber uma foto de um boy (muito bonito) que ela curtia no mundo virtual. Ele estava pelado e de havaianas. Não foi exatamente uma imagem sexy. Ao menos não para ela. Poderia ter sido até pior se ele estivesse de boné. Pra mim seria.

     Aparentemente, a decisão da Playboy marca o fim de uma era. Aquela em que o nu feminino era ansiosamente aguardado, mês a mês e uma mulher exuberante e famosa ocupava o imaginário masculino. A escritora Anais Nin dizia que o erotismo é uma forma de auto-conhecimento como qualquer outra. A necessidade de expressão existe, do contrário as pessoas não correriam o risco de exposição, que pode ter sequelas psicológicas devastadoras. A tecnologia permitiu que as coelhinhas esculturais fossem milhares de mulheres anônimas. Todos os tipos de corpos e idades. Infinitamente mais democrático. Alguém faz a foto e em algum lugar do mundo alguém a vê. É um fenômeno atual. Tão atual quanto a necessidade que outros têm escrever um texto, sobre qualquer assunto e espalhá-lo na blogsfera, com o objetivo que alguém o leia. E goste.

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