Aeroporto Berlim

detector de metal

Coloquei meu casaco e minha bolsa na esteira de raio X. Fora dela um saquinho plástico transparente com todos os líquidos que eu carregava na bolsa (colírio, desodorante, creme).  Tudo organizado para não perder tempo. Estava em cima da hora. Parei em frente ao detector de metais. Apontei para os pés, como quem pergunta se precisa tirar os sapatos – não falo alemão. O segurança fez um sinal para que seguisse em frente.  O alarme do detector disparou e quatro policiais me cercaram. Era um exagero, mas o aeroporto estava em regime de segurança máxima dois dias após o atentado em Paris. Fui logo descalçando as botas e explicando.

– Devem ser as botas. As botas brasileiras sempre acionam detectores de metais.

O alemão não entendeu nada. Uma vez em Guarulhos um policial me disse que as botas brasileiras são de excelente qualidade e têm metal no solado, por isso acionam o alarme do detector de metais.  Descalça, passei pelo detector e alarme acionou novamente.

Duas policiais vieram me revistar.  Dei graças a Deus por estar em um país civilizado – não ia querer passar por uma situação assim num país bagunçado. Uma policial começou a me revistar e a outra tinha um detector de metal na mão.   O alarme do detector não parava de apitar.  E eu não estava entendendo nada.

– Isso é muito estranho – ela disse – é como se tu estivesses cheia de metal no corpo – e eu não carrego nem alicate de unhas pra não perder tempo na segurança.

Até era engraçado, mas eu estava desconfortável. A Europa em regime de segurança máxima e por algum motivo eu resolvo acionar o detector de metais. Prestando atenção ao detector, me dei conta que o alarme era acionado no tronco e ficava silencioso nos braços e nas pernas. Resolvi arriscar uma explicação, a única que me ocorreu.

– Deve ser o meu body.

Um body é algo como um maiô usado por baixo da roupa, feito de lycra ou material semelhante,  para que roupa usada por cima caia melhor. Por algum motivo, o body  de marca brazuca obscura que eu estava usando deveria ter metal – ao menos era parecia ser isso.  A marca obscura, que eu compro numa loja popular, é a minha preferida. Uma das policiais entendeu o que eu estava tentando dizer e explicou em alemão para a outra. E deram a revista por encerrada.

Sentei em um banco, calcei minhas botas, amarrei meu casado na cintura e quando eu levantei vi uma das policiais ao meu lado. Ela olhou para os lados, baixou o tom de voz e perguntou qual era a marca que eu estava usando e se era brasileira. Cheia de pressa, respondi as duas perguntas. Em seguida ela perguntou se realmente modelava a cintura. Achei mais fácil não dizer para a autoridade germânica que a cintura brazuca era mais uma questão de genética do que de qualquer outra coisa – não se consegue uma cintura malhando na academia. A explicação ia dar muito trabalho.   Respondi apenas que sim.  Nesse instante, começou a última chamada para embarque do meu vôo. Pedi licença e saí (literalmente) correndo.

Quando cheguei no portão,  todos os passageiros tinham embarcado, mas ainda estavam se organizando. Sentei na poltrona, afivelei o cinto de segurança, respirei fundo e comecei a me divertir com a história. Se o detector estava com problema ou se o modelador tem metal mesmo eu não sei. Decidi não perguntar para o fabricante. Vai que eles mexam na estrutura da peça?

6 opiniões sobre “Aeroporto Berlim”

  1. Nunca passei por situações assim, mas na minha primeira viajem à Paris eu tive que passar cego porque o meu óculos acionava o detector de metais!!!

      1. Não foi tão interessante que caiba em uma crônica. Eu passei sem nada, descalço, as calças caindo e tudo mais, na primeira passada acionou a máquina. Um policial enorme com cara de personagem dos Avengers, me apalpou todo alí na frente das pessoas, aí ele olha e diz num inglês estranho: “I think is your glasses!”. Então coloquei meus óculos junto com o resto das coisas e deu certo. A parte do policial não foi ruim. kkkkkkkkkk. Eu tenho que confessar que encontrei um parisiense lindo e cheiroso!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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