Eu queria ser Han Solo

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Dia desses, uma amiga sugeriu de brincadeira que fôssemos fantasiadas de Princesa Leah assistir o novo episódio da saga de Guerra nas Estrelas. Respondi que se fosse fantasiada, preferiria ser o Capitão Han Solo. “Ser o Capitão Han Solo? Eu queria pegar ele” – disse minha amiga. Homens bem humorados e descolados me encantam, mas nesse caso ele é o herói que eu queria ser.

Sempre soube que não tinha vocação para princesa. Na pré-escola ficava intrigada como as minhas colegas de aula podiam usar sandálias e ter os pés impecavelmente limpos no final da tarde. Os meus, completamente sujos e mais uma sandália destruída. Brincar de índio apache com os meninos tinha um preço.

Os filmes de aventura davam um nó na minha cabeça. A vida dos mocinhos e vilões era de longe mais interessante que as das princesas, que em geral tinham três funções: entrar em apuros, sofrer tragicamente e casar com o herói. Algumas mocinhas de fato só existiam para tentar justificar que a imensa camaradagem entre dois heróis não passava de camaradagem. Papel ainda mais decorativo. Pobre herói e pobre princesa.

A princesa Leah era um avanço. O cabelo era estranho, não tinha a beleza clássica das princesas, não era frágil, manuseava armas e distribuía alguns sopapos. O macacão branco, justo e sexy era um must. Uma heroína durona, sem ser chata. Com frequência, heroínas de filme de aventura são mulheres sisudas, perfeccionistas e assexuadas.E chatas. Padmé Amidala? Uma rainha e tanto, mas trágica demais para o meu gosto. Embora eu tenha que reconhecer que pegar o Darth Vader não deixa de ser um mérito.

Meu pai achava que o mais bacana era ser Jedi. Foi ele quem me apresentou esse mundo, ainda muito pequena. Eu não teria paciência para ter um sabre de luz. Formalidades e protocolos demais. A longa seqüência de treinamento de Luke Skywalker me dava nos nervos. Nem na minha imaginação eu conseguiria suportar o Mestre Yoda. Ser Jedi era menos chato que ser princesa, mas parecia ser tão difícil quanto.

Heróis de caráter duvidoso ou cheios de defeitos têm legiões de fãs – fazem a gente sonhar que poderia estar vivendo aquilo tudo. Crescendo numa cultura machista em uma cidade do interior, eu achava que a vida dos homens era mais divertida que a das mulheres. Eu não queria ser menino, nem queria ser coadjuvante na aventura alheia. Eu queria ser capitã da minha nave e ter uma pistola de raio laser. Sem o cabelo horroroso da princesa Leah, mas com o indefectível macacão branco.

O tempo passou e eu continuo fascinada pela figura do Capitão Han Solo. Aguardo o filme com a mesma ansiedade infantil de uma época em que eu vivia aventuras espaciais por conta própria na minha imaginação. Quando meus amigos Jedis precisavam de mim eu me alinhava à Aliança Rebelde, direto pra muvuca da guerra espacial. Darth Vader era complicado demais pra minha cabeça – os Jedis que se ocupassem dele, ou fossem todos tratar seus problemas na terapia família.

Deixei o melhor para o final: Chewbacca. Han Solo é um herói privilegiado. Além de  ter uma nave espacial, ser charmoso e descolado, é o único herói que tem seu cachorro como copiloto. Não há nada melhor que isso. Eu trocaria um sabre de luz por um Chewbacca, sem pestanejar. “Chewie! Where are you?”

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