Striptease

lizpole

Escrevo crônicas porque elas me brotam da cachola. Ao escrever contos e artigos científicos sinto como se estivesse fazendo ourivesaria ou correndo uma maratona…  Dia desses embestei em publicar minhas crônicas. Algumas dúvidas me assaltaram. Quando a gente sabe que aprendeu a escrevê-las? Como sabe que chegou a hora publicá-las?

Acho que publicar um livro lembra um striptease , e de certa forma, vou revelar minha nudez. Tenho que entreter a audiência, que pode me abandonar se o show for ruim. Mostrar o que é bom é fácil, mas meus defeitos, erros gramaticais, obviedades seriam como estrias e celulites – tudo exibido, sem cortes ou censura.  O striptease já acontece no blog, mas é fugaz e lembra o snapchat: a platéia é conhecida e o texto é rapidamente engolido pela pela blogsfera.  De pensar no assunto, cheguei a conclusão que escritores e strippers tem algumas coisas em comum, ao menos no Brasil: são pouco valorizados, possuem uma platéia restrita e sofrem a concorrência desleal da web. Mais um pouco e eu proponho um sindicato comum. No mínimo, renderia boas histórias e festas concorridas.

Os originais estão na diagramação e eu me sinto como uma dançarina amadora que não domina a coreografia da pole dance, mas quer o show.  Misturo euforia e insegurança – tudo ao mesmo tempo. Fico com medo. Penso no espumante do dia do lançamento – espumante empresta glamour para o que quer que seja. Revejo a lista de pendências: o mastro me aguarda, o palco está sendo preparado. Outro ataque de medo. Tento me distrair pensando na roupa que vou usar. Lantejoulas e canutilhos estarão proscritos do traje em questão, e a minha família respira aliviada… Afinal, pretendo tirar a roupa no papel, mas em prol da moral e dos costumes convém que eu chegue – e permaneça vestida.

 

2 opiniões sobre “Striptease”

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