Sobre clitóris, memes e pokémons

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Dia desses postei um meme que vi não-sei-onde. “ Quem sabe encontrar clitóris, não perde tempo procurando pokemon.” Muitas curtidas, vários compartilhamentos, convites de amizade. Mensagens inbox dos constrangidos em curtir o post publicamente. Concluí que crônicas são um atrativo fraco atrativo perto de memes de duplo sentido. Até pensei em largar tudo fazer outra coisa da vida, me alistar na Legião Estrangeira ou me converter à religião da batata doce, mas tive preguiça. Juntar os documentos para o alistamento ou sair pra comprar batatas me pareceram demasiado esforço. Sem contar que eu ainda teria fazer a inscrição ou ir pra cozinha.

Já que ganhei mais curtidas que em posts sobre bichinhos abandonados, George Clooney ou xingamentos para a Dilma, concluí que as pessoas estão mais interessadas em encontrar clitóris que em qualquer outro assunto. Resolvi continuar lutando da minha trincheira de cronista-blogueira desconhecida, dessa vez munida de novas armas. Fui conversar com a minha amiga Anajara, a pessoa mais preocupada com assuntos de amor e sexo que eu conheço.

Segundo ela, parece que as pessoas perderam o mapa de localização desse órgão feminino e não sabem mais onde fica. As regras rígidas do Facebook para abordar temas sexuais me impedem de ser específica e nem eu pretendo ofender os espíritos mais sensíveis. Mas diria que encontrá-lo é mais ou menos como saber a senha de acesso a um lugar misterioso. Dá para entrar sem senha,  mas a estadia e os tesouros oferecidos são infinitamente mais generosos para aqueles que dominam o código.

Estranhou a conversa, amigo conhecedor da anatomia feminina? Saiba que em tempos de internet, relações líquidas e Pokemons, a dedicação para mapear o caminho está cada vez menor, segundo Anajara. Para o amigo que se sente completamente perdido no terreno desconhecido, esclareço. Não adianta procurar no Google ou usar bússola. Não perca seu precioso tempo na Wikipedia. Cada território precisa ser mapeado centímetro a centímetro, sem pressa. Ou preguiça.

 

Aos que têm certeza absoluta que dominam qualquer mapa, uma ressalva. Às vezes sabem tão pouco quanto os assumidamente perdidos e dispostos a receber algum auxílio objetivo.  E pra terminar, o último comentário da minha amiga Anajara: tenha em mente que a região é pequena e a sensibilidade é muito maior que a do equivalente masculino. Clitóris não é campainha. Não é pra sair apertando.