Sobre zoológicos, latinas, o cóccix e questões afeitas às três matérias.

14963168_1375161535868700_3914759196524475947_n

Era o tipo do bar em que a gente se pergunta se deveria levar a própria mãe. Espiei a minha com o canto dos olhos. Habituada ao carnaval carioca e assídua na Sapucaí, tirou de letra. Tinham me dito que era um bar de salsa, mas quando cheguei bailarinas rebolavam freneticamente em um palco. Em seguida começaria o show masculino. Lembrou o Valen, o bar erótico em Porto Alegre. Mas esse era mais divertido. E mais caro. Aparentemente tudo ali estava à venda. Ou quase tudo.

Mais que observar gente seminua dançando com muita ou pouca convicção o divertido observar era olhar fauna variada de todos os cantos do planeta. Um zoológico. Todos eles bárbaros da horda dos turistas, como eu. Se para mim eles pareciam ele engraçados dançando salsa, eu deveria ser exótica aos olhos deles também. Afinal, a falsa loira bronzeada é um animal exclusivo da fauna brasileira, abundante na Província do Rio Grande de São Pedro. Estranhou minha afirmação peremptória, amigo leitor? Se considerarmos os opcionais de fábrica, o animal em questão só existe no Caos brasilis.

Os bárbaros sempre pensam que se misturam ao povo local e estão entendendo tudo.  Como era um bar de salsa, a fauna se sentia muito, mas muito sexy. Portanto, uma vez que todos nós nos tornávamos irresistíveis apenas porque tocava Fiebre, era natural que todo o resto do planeta estivesse disposto a uma abordagem. Aliás, amigo do sexo oposto, uma digressão oportuna. Quer a atenção de uma mulher? Não chegue pegando, abraçando, não invada o espaço físico. A menos que claramente indicado.  Obrigada. De nada.

Mas não era bem isso que eu queria falar. No palco, a minha frente uma mulata de cabelo platinado rebolava. Eu, invocada. O uniforme era um macacão tigrado, justíssimo, daqueles tecidos que deixam transparecer até celulite que a gente vai ter na próxima encarnação. Mas o que me deixava cismada não era a falta de celulite ou a bunda empinada que parecia apontar para o espaço.

Elas dançavam, rebolavam, agachavam. O macacão não saía do lugar. Os homens, urravam. Eu, encafifada, pensava se conseguiria fazer a pergunta que me esclareceria a questão em inglês ou espanhol.  Nenhuma delas era brasileira. Tinha algum adesivo segurando a roupa? Colchetes? Como era possível?

Eu tinha passado a tarde no provador de uma loja testando todas as modelagens de jeans curvy  de cintura alta (leia-se calça para mulheres bundudas) até encontrar um modelo que não me fizesse parecer saída de um baile funk se precisasse me abaixar para pegar algo no chão. E a mulher, impávida, rebolava agachada num macacão barato, que não saia do lugar, exibindo precisamente o cócix, sem exibir nada mais. Saí do bar tão invocada quanto entrei. Pensei em inúmeras construções frasais, mas não consegui pensar numa maneira de dizer “cofrinho” em inglês ou espanhol.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *