A Musa e eu

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quando eu topei com a Musa

ela estava no bar

bebia cerveja

e paquerava um homem jovem

era ela, eu tinha certeza

tinha aparecido pra mim

 

sem vestes gregas, sem harpa

desgrenhada, vestia preto

idade indefinida

disse  estar matando tempo

até que eu chegasse

tão vulgar, a Musa

mas tinha me escolhido

 

eu quis impressionar a Musa

recitando um clássico

“- Desde quando lês Ovídio?

Se ao menos falasses de Manoel

ou do Buck”

era a minha Musa

sabia das minhas limitações

 

eu queria saber da Hilda e da Cecília

a musa não me deixava falar

rodopiava, cantava, dançava

eu quase não entendia

(será assim com os maus poetas?)

mas era a Musa

e só eu a reconheci.

 

” – Pra que tanto poema de amor?”

Anda escrever sobre a vida,

que é tão maior!”

– Ó Musa – gaguejei eu

“- Ah, foda-se!”

Interrompeu ela

dando um tapa no ar

“- Agora vamos beber.

Evoé!”

 

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