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lancei meu canto na floresta
e ele veio na lua cheia
celebramos as núpcias ao redor da fogueira
como deveria ser ser
como fizemos antes
os amores tão intensos
que parecem já ter sido vividos
em época longínqua
imemorial
senti as presas, as garras
o cheiro
quando chegou a hora
me fiz entrega
para que ele me fizesse posse
amei-o como se nunca tivesse amado
como se eu tivesse desabrochado
agora
ou fosse fenecer amanhã
como se as diferenças não existissem
e fôssemos apenas
rito
e selvageria
como se eu não fosse inconstância
e ele o remédio
pra rotina que me esmaga
e que me esperará implacável
quando o dia for alto
casei-me na lua cheia
fui embora quando amanheceu

 

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