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Marilyn?

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Eu vinha pela rua com as mãos cheias de sacolas do supermercado, sapatilha e vestido de bolinha, pertinho de casa, quando uma rajada de vento me deixou naquela situação em que a gente não sabe o que faz primeiro para contornar o constrangimento. Depois dos intermináveis segundos que eu levei para me recompor, o guardador de carros que assistia a cena disse, alto para que eu ouvisse. “Marilyn Monroe”. Cai na risada. Era mais fácil que morrer de vergonha. Sempre é mais fácil cair na risada. Eu nem de longe me pareço com ela e e ele também sabe disso. Também não vem ao caso o quem ele é ou quem eu sou. O homem estava sendo (muito!) gentil com uma mulher numa situação extremamente constrangedora. Felizmente a gente ainda encontra pequenos gestos de cavalheirismo.

TPM e chocolate

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Paro na tabacaria quase ao lado da minha casa para comprar um  bombom. “Serumano”que me atende diz que não tem e me alcança um folder: “Aproveito a oportunidade para divulgar meu novo negócio na Cidade Baixa.” Leio o folder de divulgação de shakes emagrecedores. Dois pensamentos me ocorrem imediatamente: 1) Esse animal não tem amor à vida, oferecendo shakes emagrecedores para uma mulher na TPM, com fome e  em busca de chocolate. 2) Se ele continuar oferecendo shakes emagrecedores para quem entra na loja para comprar chocolate, o “novo negócio” vai ser um   retumbante fracasso.

(publicado no Facebook em 05 de fevereiro d e 2013)

Bege, eu?

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Deve haver algum círculo específico do inferno para mulheres consumistas que compram coisas que não gostam – sabendo disso. A “Serumano” aqui chega na loja estressada, cansada e na TPM. Tudoaomesmotempoagora. E sai com uma sacolinha com um scarpin bege. Bege, eu? Cruzes!

(postado originalmente no Facebook em 06/11/2013)

Astrologia

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Agosto me faz pensar sobre resiliência. É frio, desafia meu comodismo. Vezenquando testa meus limites também. Há 4 anos meu casamento terminou abruptamente, no início de agosto. Levei cartão vermelho sem levar um amarelo antes. Achei que ia morrer. Na verdade, eu não sabia o que era quase morrer até então. Há exatamente um ano atrás, minha família me levou para a emergência de um hospital após um acidente. Na sala vermelha do hospital eu lembrei da saída dele de casa e tive vontade de rir. Correndo risco de vida, sem diagnóstico, confusa e esperando o médico que assumiria meu caso – aquilo sim era quase morrer. Apavorada, deitada numa maca eu pensava por que diabos eu tinha que mudar de lado? Camisola de paciente ao invés de jaleco? Socorro! A frivolidade é um mecanismo de defesa poderoso e eu dizia para os médicos que precisava de três coisas: uma coca-zero, um secador de cabelo e meu estojo de maquiagem, para a diversão dos funcionários da emergência. Eu dizia isso porque não sabia se poderia trabalhar novamente, se teria condições neurológicas. Será que eu poderia voltar a ser médica? Tentava ouvir as discussões dos médicos sobre os casos da emergência e não entendia quase nada. Do meu caso, entendi que era grave, mas tudo era lento demais dentro do meu cérebro. Foram 48 horas até que eu conseguisse pensar claro por algumas horas. De longe, as piores 48 horas da minha vida – tanto que ainda hoje preciso falar nelas. Como era inacreditável que eu tivesse sobrevivido, fui submetida a uma bateria de exames digna de Dr. Gregory House. Virei paciente de seriado médico. As hipóteses diagnósticas mais estranhas foram testadas, apenas para comprovar que eu não tinha nada, apenas tinha sofrido um acidente – daqueles que pouca gente consegue contar a história. Ainda hoje, continuo perplexa. Só me resta ser grata, ganhei uma segunda chance, um segundo aniversário. Antes eu era de Touro. Agora acho que sou de Leão.

Selagem térmica

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Selagem térmica. Um dos milagres do cabelo liso e sem frizz do século XXI. O melhor de tudo, segundo os fabricantes, é que não tem formol. Uma verdadeira dádiva para a auto-estima da “serumano”. Quando o produto está evaporando sob a chapinha ou escova eu estranhamente sou assaltada por recordações juvenis. Tenho a sensação que estou caminhado pelo subsolo da faculdade, com o meu avental branco e o estojinho de dissecção ma mão para mais uma aula prática de anatomia. Até sinto falta do nosso camarada Hulk, o cadáver acometido por um fungo verde na pele. Aí não sei se as lágrimas que me vêm aos olhos são por causa do produto da selagem – que não é formol, diga-se de passagem – ou se são saudade de um tempo em que eu era feliz e não sabia.

 (postado no Facebook em 12/08/2013)