Arquivo da tag: por aí

TPM e chocolate

528747_463229013728628_1736860597_n

Paro na tabacaria quase ao lado da minha casa para comprar um  bombom. “Serumano”que me atende diz que não tem e me alcança um folder: “Aproveito a oportunidade para divulgar meu novo negócio na Cidade Baixa.” Leio o folder de divulgação de shakes emagrecedores. Dois pensamentos me ocorrem imediatamente: 1) Esse animal não tem amor à vida, oferecendo shakes emagrecedores para uma mulher na TPM, com fome e  em busca de chocolate. 2) Se ele continuar oferecendo shakes emagrecedores para quem entra na loja para comprar chocolate, o “novo negócio” vai ser um   retumbante fracasso.

(publicado no Facebook em 05 de fevereiro d e 2013)

Bege, eu?

scarpins-coloridos-sapatos-arezzo-inverno-2014
Deve haver algum círculo específico do inferno para mulheres consumistas que compram coisas que não gostam – sabendo disso. A “Serumano” aqui chega na loja estressada, cansada e na TPM. Tudoaomesmotempoagora. E sai com uma sacolinha com um scarpin bege. Bege, eu? Cruzes!

(postado originalmente no Facebook em 06/11/2013)

Hey! Ho!

P9afcCRfA6k

Mulher com mais de 60 anos caminhando pelos corredores do hospital. Quase sem sombrancelhas pela quimioterapia, vestida de preto. Caminhava altiva, incomum. De longe me chamou a atenção o lenço preto na cabeça, para esconder a falta de cabelos, amarrado como um lenço de pirata.  Um pouco mais perto, pude ver a estampa da camiseta dos Ramones, grande para ela, provavelmente emagrecida pela doença. Bem de perto vi que ela usava batom. A doença derrubou os cabelos, mas não derrubou o espírito. Hey! Ho! Let´s go! (publicado no Facebook em 11/11/2013)

Astrologia

1287649826

Agosto me faz pensar sobre resiliência. É frio, desafia meu comodismo. Vezenquando testa meus limites também. Há 4 anos meu casamento terminou abruptamente, no início de agosto. Levei cartão vermelho sem levar um amarelo antes. Achei que ia morrer. Na verdade, eu não sabia o que era quase morrer até então. Há exatamente um ano atrás, minha família me levou para a emergência de um hospital após um acidente. Na sala vermelha do hospital eu lembrei da saída dele de casa e tive vontade de rir. Correndo risco de vida, sem diagnóstico, confusa e esperando o médico que assumiria meu caso – aquilo sim era quase morrer. Apavorada, deitada numa maca eu pensava por que diabos eu tinha que mudar de lado? Camisola de paciente ao invés de jaleco? Socorro! A frivolidade é um mecanismo de defesa poderoso e eu dizia para os médicos que precisava de três coisas: uma coca-zero, um secador de cabelo e meu estojo de maquiagem, para a diversão dos funcionários da emergência. Eu dizia isso porque não sabia se poderia trabalhar novamente, se teria condições neurológicas. Será que eu poderia voltar a ser médica? Tentava ouvir as discussões dos médicos sobre os casos da emergência e não entendia quase nada. Do meu caso, entendi que era grave, mas tudo era lento demais dentro do meu cérebro. Foram 48 horas até que eu conseguisse pensar claro por algumas horas. De longe, as piores 48 horas da minha vida – tanto que ainda hoje preciso falar nelas. Como era inacreditável que eu tivesse sobrevivido, fui submetida a uma bateria de exames digna de Dr. Gregory House. Virei paciente de seriado médico. As hipóteses diagnósticas mais estranhas foram testadas, apenas para comprovar que eu não tinha nada, apenas tinha sofrido um acidente – daqueles que pouca gente consegue contar a história. Ainda hoje, continuo perplexa. Só me resta ser grata, ganhei uma segunda chance, um segundo aniversário. Antes eu era de Touro. Agora acho que sou de Leão.

Selagem térmica

images

Selagem térmica. Um dos milagres do cabelo liso e sem frizz do século XXI. O melhor de tudo, segundo os fabricantes, é que não tem formol. Uma verdadeira dádiva para a auto-estima da “serumano”. Quando o produto está evaporando sob a chapinha ou escova eu estranhamente sou assaltada por recordações juvenis. Tenho a sensação que estou caminhado pelo subsolo da faculdade, com o meu avental branco e o estojinho de dissecção ma mão para mais uma aula prática de anatomia. Até sinto falta do nosso camarada Hulk, o cadáver acometido por um fungo verde na pele. Aí não sei se as lágrimas que me vêm aos olhos são por causa do produto da selagem – que não é formol, diga-se de passagem – ou se são saudade de um tempo em que eu era feliz e não sabia.

 (postado no Facebook em 12/08/2013)